A classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos é um tema relevante para empresas que atuam no setor de embalagens e indústria alimentÃcia. A Solução de Consulta COSIT nº 98.339, de 18 de dezembro de 2020, traz importantes esclarecimentos sobre a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para este tipo de material.
Identificação da Norma:
- Tipo de norma: Solução de Consulta
- Número/referência: 98.339 – COSIT
- Data de publicação: 18 de dezembro de 2020
- Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil
Introdução à Solução de Consulta
A Solução de Consulta nº 98.339 responde a um questionamento especÃfico sobre a classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos, determinando o código NCM 3920.49.00 para esse tipo de material. Esta interpretação tem efeitos imediatos para empresas importadoras, fabricantes e comerciantes deste tipo de produto, permitindo a correta tributação e cumprimento das obrigações acessórias relacionadas ao comércio exterior e mercado interno.
Contexto da Norma
A classificação fiscal na NCM é fundamental para determinar o tratamento tributário aplicável a um produto, incluindo alÃquotas de impostos como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), II (Imposto de Importação), além de definir a necessidade de licenciamentos, certificações e outros requisitos legais para comercialização.
A classificação correta de pelÃculas plásticas utilizadas como embalagem de alimentos exige conhecimento técnico especÃfico sobre as caracterÃsticas dos materiais, sua composição e finalidade. Isto porque nas posições 39.19, 39.20 e 39.21 da NCM encontram-se diferentes tipos de pelÃculas plásticas, com tratamentos tributários potencialmente distintos.
No caso analisado, a Receita Federal estabeleceu critérios técnicos precisos para distinguir a classificação de pelÃculas de PVC conforme suas caracterÃsticas, principalmente quanto ao teor de plastificantes presentes na composição do material.
Descrição da Mercadoria Consultada
A mercadoria objeto da consulta foi descrita como uma pelÃcula (filme) com as seguintes caracterÃsticas:
- ConstituÃda por polÃmero de cloreto de vinila (PVC)
- Com teor total de plastificantes inferior a 6% em peso
- Não autoadesiva
- Não alveolar
- Não reforçada nem estratificada
- Sem suporte ou associação a outras matérias
- Contendo impressões variadas de caráter acessório sobre os produtos alimentÃcios a acondicionar
- Apresentada em rolos
- Própria para aplicação em envelopadeira automática
Fundamentação Legal para a Classificação
A análise para determinação da classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos baseou-se nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), nas Notas de Seção e de CapÃtulo da NCM, e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH).
Os principais dispositivos legais considerados foram:
- RGI 1 – A classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de CapÃtulo
- Nota 10 do CapÃtulo 39 – Define o que se entende por “chapas, folhas, pelÃculas, tiras e lâminas”
- Nota 2 da Seção VII – Estabelece que plásticos com impressões que não tenham caráter acessório são classificados no CapÃtulo 49
- RGI 6 – Orienta a classificação nas subposições de uma mesma posição
A Receita Federal concluiu que, por se tratar de uma pelÃcula constituÃda por polÃmero de cloreto de vinila (PVC), com teor de plastificantes inferior a 6% em peso, que contém impressões de caráter acessório à sua utilização principal (acondicionamento de alimentos), a classificação correta é no código NCM 3920.49.00.
Análise Técnica da Decisão
O fator determinante para a classificação foi a avaliação técnica de que:
- A mercadoria é uma pelÃcula plástica cuja função primordial é o acondicionamento do alimento, constituindo-se na embalagem primária
- As impressões na pelÃcula têm caráter acessório em relação à sua utilização principal
- Por ser constituÃda exclusivamente por motivos monoméricos de cloreto de vinila, enquadra-se na subposição 3920.4
- Com teor de plastificantes inferior a 6%, classifica-se na subposição 3920.49.00
A análise fez uma distinção importante: se o teor de plastificantes fosse igual ou superior a 6%, a classificação seria na subposição 3920.43. Este critério técnico é fundamental para a correta classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos.
Impactos Práticos para as Empresas
Esta Solução de Consulta traz segurança jurÃdica para empresas que comercializam ou utilizam pelÃculas de PVC para embalagens de alimentos, especialmente nos seguintes aspectos:
- Determinação correta das alÃquotas de impostos aplicáveis (IPI, II, PIS/COFINS)
- Preenchimento adequado de documentos de importação e declarações aduaneiras
- Emissão correta de documentos fiscais no mercado interno
- Planejamento tributário mais preciso para operações envolvendo esse tipo de material
- Possibilidade de verificar a existência de benefÃcios fiscais ou regimes especiais aplicáveis
Para fabricantes de embalagens, é essencial manter controle técnico sobre a composição dos produtos, especialmente quanto ao teor de plastificantes, pois este parâmetro é decisivo na determinação da classificação fiscal e, consequentemente, da carga tributária.
Pontos de Atenção
As empresas que lidam com a classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos devem estar atentas a alguns aspectos importantes:
- A caracterização da impressão como “acessória” é fundamental para manter a classificação no CapÃtulo 39. Caso as impressões sejam consideradas como a função principal do produto, a classificação poderia mudar para o CapÃtulo 49
- O percentual de plastificantes deve ser devidamente documentado, preferencialmente com laudos técnicos que comprovem a composição do material
- Alterações na composição do produto podem mudar sua classificação fiscal, impactando o tratamento tributário
- É recomendável manter documentação técnica que comprove as caracterÃsticas fÃsico-quÃmicas do produto, para eventual apresentação em procedimentos de fiscalização
Considerações Finais
A Solução de Consulta nº 98.339 oferece uma interpretação clara sobre a classificação fiscal de pelÃcula de PVC para embalagem de alimentos, determinando o código NCM 3920.49.00 para materiais com teor de plastificantes inferior a 6% em peso. Este entendimento da Receita Federal do Brasil proporciona segurança jurÃdica para as empresas do setor, permitindo o correto cumprimento das obrigações tributárias.
É importante ressaltar que, conforme o art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 1.464, de 8 de maio de 2014, as Soluções de Consulta têm efeito vinculante para a Administração Tributária em relação ao consulente e eficácia normativa em relação a fatos idênticos. Assim, outros contribuintes podem utilizar esta interpretação como referência para situações semelhantes.
Para empresas do setor de embalagens, especialmente aquelas que trabalham com pelÃculas plásticas para acondicionamento de alimentos, recomenda-se manter-se atualizado sobre as interpretações da Receita Federal e buscar assessoria especializada para garantir a correta classificação fiscal de seus produtos.
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